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Como usar o site e entender as eleições

O Radar do Voto reúne as eleições brasileiras em um lugar só. Veja, em poucos passos, como encontrar o que você procura.

Comece escolhendo o ano

Ao abrir o site, você vê os anos de eleição em bolinhas, no alto. Uma chavinha ali alterna entre os anos mais recentes (1989 a 2024) e os mais antigos (1933 a 1986). Toque em um ano e aparecem todas as disputas dele: de um lado presidente, governador, senador e deputados; do outro, prefeito e vereador. Toque no cargo que quiser para ver o resultado.

As quatro abas embaixo

Na parte de baixo da tela ficam quatro atalhos, sempre à mão: Eleições (as disputas por ano), Estados, Cidades e Candidatos. São eles que organizam o site inteiro. É por aí que você navega.

Quantos votos elegem um vereador na sua cidade

Toque em Cidades e digite o nome da sua cidade, ou escolha primeiro o estado e ache a cidade na lista. A página abre com a resposta em destaque: quantos votos teve o último vereador eleito ali, quantas cadeiras a câmara tem e quantas pessoas disputaram. Uma tabela mostra esse número em cada eleição, e um botão troca para prefeito. Mais abaixo, escolhendo um ano, aparece a lista completa dos candidatos daquela cidade.

Quem é um candidato e onde ele já concorreu

Toque em Candidatos e digite o nome ou o apelido de urna, por exemplo, “ticio” ou “mévio”. Abra o nome na lista e você vê a ficha da pessoa: a foto, a maior votação da carreira e todas as vezes que ela concorreu, com cargo, ano, partido e votos, mesmo que tenha mudado de cargo, de partido ou de cidade. Cada linha leva ao resultado completo daquela eleição.

O resultado de um cargo em um ano

Na tela inicial, escolha o ano e toque no cargo. Aparece a lista de todos os candidatos, do mais para o menos votado, com o percentual e, na linha de baixo, a palavra Eleito em verde para quem se elegeu. Para governador e deputados, você escolhe o estado; para prefeito e vereador, o estado e depois a cidade. Toque em qualquer nome para ir à ficha dele.

Comparecimento: aptos, abstenções, brancos, nulos e válidos

No alto de cada resultado há um bloco de Comparecimento, que mostra o tamanho da eleição. Os termos parecem parecidos, mas cada um diz uma coisa:

  • Aptos: os eleitores que podiam votar (o eleitorado da unidade).
  • Comparecimento: quantos de fato foram às urnas.
  • Abstenções: quantos faltaram. É a conta Abstenções = aptos − comparecimento.
  • Brancos e Nulos: quem compareceu mas não escolheu um candidato válido (voto em branco, ou anulado).
  • Válidos: os votos que contam para os candidatos: Válidos = comparecimento − brancos − nulos. É sobre os válidos que o percentual de cada candidato é calculado: por isso a soma dos percentuais fecha em 100% entre quem disputou, e não sobre todo o eleitorado.

As cores e os rótulos (deputados e vereadores)

Nas eleições de deputado e vereador (as chamadas proporcionais), a linha de baixo de cada candidato começa pelo desfecho, antes do partido e do número. Nas eleições recentes você vê três:

Eleito Eleito pelos próprios votos, atingindo o quociente (explicado logo abaixo). Aparece em verde.

Eleito por média Também eleito, mas pelas sobras: as últimas cadeiras, depois da primeira divisão, vão para as maiores “médias”. É o mesmo verde, porque o desfecho é o mesmo (a pessoa está eleita); o que muda é o caminho.

Suplente Não se elegeu, mas está na fila: assume a cadeira se um eleito do mesmo partido ou federação sair (licença, renúncia, cassação, morte). Aparece em dourado.

Quem não tem rótulo simplesmente não se elegeu. É a maioria das linhas. Em presidente, governador, senador e prefeito, que têm um vencedor só, o verde marca quem ganhou. O botão R$, à direita de cada linha, abre a arrecadação e os gastos daquela campanha.

Quando há segundo turno

O segundo turno existe só para os cargos de um vencedor só, o Executivo: presidente, governador e prefeito (e, no caso do prefeito, apenas em cidades com mais de 200 mil eleitores). Ele acontece quando ninguém passa de metade dos votos válidos (brancos e nulos não contam) no primeiro turno; então os dois mais votados disputam de novo. Senador, deputado e vereador não têm segundo turno. Decidem-se em uma rodada só. Nas cidades com até 200 mil eleitores, o prefeito também sai em turno único, com quem tiver mais votos.

2º TURNO Disputou o segundo turno. Na ficha de quem foi à segunda rodada, este selo vazado, em cinza, marca a candidatura: diz que a pessoa chegou lá, sem afirmar quem venceu. Quem venceu leva o selo verde de eleito.

Quantos eleitos cada cargo tem, e por que o número é fixo

O número de cadeiras de cada disputa é fixado em lei e não muda de eleição para eleição (só quando a própria lei muda). Saber quantas são ajuda a entender o que a página de resultado mostra por dentro.

Os cargos de um só (o Executivo). Cada eleição elege um presidente e o vice dele para o país inteiro; um governador e vice em cada estado (e no Distrito Federal); e um prefeito e vice em cada município. O vice concorre na mesma chapa: você vota uma vez e elege os dois.

O Senado. Cada estado e o DF têm três senadores, que representam a unidade da federação: o estado inteiro, não uma região dele. São, portanto, 81 cadeiras (27 × 3). O mandato dura oito anos e a casa se renova aos poucos: em uma eleição você escolhe um senador por estado (renova-se 1/3 da casa); na seguinte, dois (renovam-se 2/3); na outra, um de novo, e assim por diante. Cada senador eleito leva dois suplentes, que assumem se ele deixar a cadeira.

As casas de muitos (as proporcionais). A Câmara dos Deputados tem 513 deputados federais, repartidos entre os estados conforme a população: no mínimo 8 por estado, no máximo 70 (São Paulo). As Assembleias estaduais partem desse número: três vezes o de federais, até 12; e 36 mais o que passar de 12, acima disso. Somadas, são 1.059 cadeiras estaduais e distritais. O quadro mostra a base de cada estado hoje:

Deputados por estado: número fixado em lei. No Distrito Federal, os 24 são deputados distritais (a Câmara Legislativa); o DF não tem prefeito nem vereador.
EstadoFederaisEstaduais
Acre824
Alagoas927
Amapá824
Amazonas824
Bahia3963
Ceará2246
Distrito Federal824
Espírito Santo1030
Goiás1741
Maranhão1842
Mato Grosso824
Mato Grosso do Sul824
Minas Gerais5377
Pará1741
Paraíba1236
Paraná3054
Pernambuco2549
Piauí1030
Rio de Janeiro4670
Rio Grande do Norte824
Rio Grande do Sul3155
Rondônia824
Roraima824
Santa Catarina1640
São Paulo7094
Sergipe824
Tocantins824
Brasil5131.059

As câmaras de vereadores vão de 9 a 55 cadeiras. A Constituição fixa o máximo de cada faixa de população, e cada município escolhe o seu número na lei orgânica, até esse limite (por isso há câmaras com número par, como a de Curitiba, com 38). Só São Paulo, com mais de 8 milhões de habitantes, chega ao teto de 55:

Máximo de vereadores por faixa de população: art. 29 da Constituição (Emenda 58/2009).
Habitantes do municípioVereadores
Até 15 mil9
15 mil a 30 mil11
30 mil a 50 mil13
50 mil a 80 mil15
80 mil a 120 mil17
120 mil a 160 mil19
160 mil a 300 mil21
300 mil a 450 mil23
450 mil a 600 mil25
600 mil a 750 mil27
750 mil a 900 mil29
900 mil a 1,05 mi31
1,05 mi a 1,2 mi33
1,2 mi a 1,35 mi35
1,35 mi a 1,5 mi37
1,5 mi a 1,8 mi39
1,8 mi a 2,4 mi41
2,4 mi a 3 mi43
3 mi a 4 mi45
4 mi a 5 mi47
5 mi a 6 mi49
6 mi a 7 mi51
7 mi a 8 mi53
Mais de 8 mi55

O quociente, as coligações e as federações

Em deputado e vereador, a cadeira é do partido antes de ser do candidato. Primeiro somam-se os votos válidos e divide-se pelo número de cadeiras: é o quociente eleitoral (votos válidos ÷ cadeiras). Vê-se então quantas cadeiras cada partido conquistou, e só depois elas vão para os candidatos mais votados dentro daquele partido. Por isso alguém pode ter muitos votos e não se eleger (o partido dele não atingiu o quociente), enquanto outro, com menos votos, se elege.

Dois arranjos somam os votos de partidos diferentes em um mesmo quociente:

Coligação: vários partidos se juntavam só para aquela eleição. Valeu nas proporcionais até 2018 (e 2016 nos municípios); a Emenda Constitucional 97/2017 acabou com a coligação proporcional a partir de 2020. (Para presidente, governador, senador e prefeito, a coligação continua existindo.)

Federação: criada pela Lei 14.208/2021 e usada desde 2022. Parece coligação, mas é um laço duradouro: os partidos ficam unidos por pelo menos quatro anos, inclusive depois da eleição, e contam como um único partido, também na hora de somar os votos para o quociente.

Um exemplo simples. Um estado elege 8 deputados e teve 800 mil votos válidos. O quociente é 800.000 ÷ 8 = 100 mil votos por cadeira. Uma federação de três partidos soma 250 mil votos: dá para 2 cadeiras, que vão aos dois candidatos mais votados da federação inteira, digamos um com 120 mil e outro com 50 mil votos. Já um partido que concorreu sozinho fez 70 mil votos no total, e o melhor candidato dele teve 60 mil; como o partido não chegou aos 100 mil do quociente, ele fica de fora. Resultado: o candidato da federação com 50 mil se elege, e o do partido sozinho com 60 mil, não. É essa conta que somar votos muda.

As sobras e a cláusula de barreira

Depois que o quociente reparte as primeiras cadeiras, quase sempre sobram algumas: a divisão raramente é exata. Essas vagas restantes vão para as maiores médias: é o rótulo verde Eleito por média que você viu acima. Elas são repartidas em rodadas: na primeira rodada das sobras só disputam os partidos com pelo menos 80% do quociente e os candidatos com pelo menos 20% dele. Quando ninguém mais cumpre essas duas exigências, a última rodada fica aberta a todos os partidos e candidatos. Essa última parte foi o STF quem decidiu, em 2024, e em 2025 ele a aplicou também às cadeiras de 2022, o que trocou sete deputados federais eleitos naquele ano.

Não confunda isso com a cláusula de barreira (ou de desempenho), que é outra coisa: ela não tira cadeira de ninguém: quem se elegeu, fica. O que ela faz é cortar o acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV dos partidos que não alcançam um mínimo de votos no país. E esse mínimo sobe a cada eleição: foi 1,5% dos votos válidos (ou 9 deputados federais) em 2018, 2% (ou 11) em 2022, e será 2,5% (ou 13) em 2026. Em 2022, só 12 de 28 partidos e federações passaram: foi por isso que tantos se uniram em federações, para não ficar de fora.

O seu estado

A aba Estados faz o mesmo que a de cidades, um degrau acima: quantos votos elegeram um governador, um senador, um deputado federal e um estadual naquele estado, eleição por eleição.

A eleição de 2026

No alto da tela inicial há um botão laranja, Resultado 2026. Ali você vê o resultado oficial de cada cargo, com os votos de cada candidato, pela totalização do TSE. Quem já concorreu antes vira um link para a trajetória. O 2º turno, em 25 de outubro, entra no site com os dados oficiais do TSE.

O Painel do Brasil

No rodapé há também o Painel Presidencial do Brasil, disponível gratuitamente. É o mapa do país nas eleições de presidente, de 1945 a 2022: cada município pintado com a cor de quem venceu ali. Troque o ano, mude as métricas, dê zoom, toque em um estado para focar nele e em um município para ver os números. No seletor Ver no mapa dá para alternar entre o resultado (quem venceu) e a participação (comparecimento, abstenção, brancos e nulos). Tem ainda o mapa do voto no exterior e o perfil de cada candidato.

A história do voto

No rodapé de qualquer página há o link História do Voto no Brasil: um texto sobre como se votava no país em cada época, com uma linha do tempo para ir direto a qualquer eleição desde 1933.

Sobre o Radar do Voto

Quer saber quem faz o Radar do Voto, de onde vêm os números e por que o site existe? A página Sobre o Radar do Voto conta a proposta.

É só isso. Toque, explore e volte quando quiser. E, se precisar de ajuda, fale com a gente no botão de WhatsApp, no canto da tela.

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